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Educação a Distância
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domingo, 16 de janeiro de 2011

Brasil terá depósito de rejeitos radioativos até 2015

Em 2015, o Brasil terá seu primeiro depósito nacional de rejeitos radioativos.

Nesse depósito ficarão armazenados os rejeitos de baixa e média atividade das usinas nucleares brasileiras, da fábrica de combustível das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), localizada em Resende (RJ), e do descomissionamento de reatores de pesquisa.

O Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), em Belo Horizonte (MG), é o responsável pela concepção, a construção e o licenciamento do empreendimento, cujo detalhamento será feito ao longo de 2011.

Rejeitos radioativos

Hoje, os rejeitos das usinas nucleares do país são armazenados dentro de depósitos iniciais, previstos por normas internacionais, situados dentro das próprias unidades. O mesmo vale para as instalações do ciclo do combustível nuclear.

Os rejeitos de baixa e média atividade são constituídos, principalmente, por resíduos da purificação da água dos reatores, imobilizados em matriz de cimento ou em betume, além de roupas, filtros, papéis e outros materiais utilizados em instalações nucleares.

Esses rejeitos são colocados em embalagens metálicas de 1 metro cúbico ou em tambores metálicos de 200 litros, que serão acondicionados em contêineres de concreto no novo depósito, com monitoração 24 horas por dia.

Mattos afirma que o repositório é um projeto-chave para o setor, na medida em que viabiliza a operação de Angra 3 e das usinas posteriores. "A construção do depósito é fundamental para garantir o avanço do Programa Nuclear Brasileiro (PNB). É importante ressaltar que essa é uma tecnologia madura, amplamente utilizada em todo o mundo", destaca o diretor do CDTN.

Quem vai querer

O local que sediará o repositório ainda não foi escolhido. Segundo o diretor do CDTN, João Roberto Loureiro de Mattos, o processo de seleção levará em conta fatores como a densidade populacional da região e a existência de áreas de preservação e de mananciais de água.

A construção do depósito faz parte das exigências do licenciamento ambiental de Angra 3, realizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

De acordo com as determinações do Ibama, as instalações do repositório precisam estar licenciadas até o início da operação da usina. A responsabilidade pelo empreendimento é da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), que colocou o CDTN à frente do desenvolvimento do projeto.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Ônibus ecológico deve começar a circular em Curitiba para testes

Um ônibus híbrido, que funciona com um motor elétrico e outro movido a diesel, deve começar a circular em Curitiba, em fase de testes, na segunda-feira (27). De acordo com a prefeitura, o veículo fará a linha Interbairros II. O “Hibribus”, como é chamado, tem capacidade para até 80 passageiros.
Ainda segundo a prefeitura, o período de testes do ônibus deve durar três semanas. Além de Curitiba, o veículo também está sendo testado em São Paulo e no Rio de Janeiro.
A previsão é de que o “ônibus ecológico” inicie suas viagens às 5h12, no Capão Raso, e seja recolhido às 15h47, para avaliações. O ônibus deve rodar 205 quilômetros por dia.
No sistema híbrido, segundo a prefeitura, o motor elétrico é usado para arrancar o ônibus e chegar a uma velocidade de 20 km/h. Depois, entra em ação o motor a diesel. A energia gerada pelas freadas deve recarregar as baterias do ônibus e, enquanto ele estiver parado, o motor a diesel fica desligado. Estima-se que a emissão de poluentes do ônibus híbrido seja 50% menor do que nos ônibus comuns. 

Fonte: G1)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Casca de camarão filtra metais pesados

A quitosana é um biopolímero obtido de fontes naturais 
como as carapaças de caranguejos, camarões e lagostas,
 sendo também encontrado em insetos, moluscos e na parede 
celular de fungos. [Imagem: Airoldi et al.]
Filtro de metais pesados

A quitosana - uma fibra retirada do exoesqueleto de crustáceos - pode ser uma nova aliada da ciência na despoluição dos rios e efluentes despejados pela indústria.

O material mostrou-se capaz de extrair metais pesados da água, como o cobre, o zinco, o chumbo, o cobalto e o cádmio. Os experimentos foram obtidos por meio da técnica de adsorção.

A conclusão é de um estudo realizado no Instituto de Química (IQ) da Unicamp, pela pesquisadora Elaine Cristina Nogueira Lopes de Lima, juntamente com o professor Claudio Airoldi.

Recentemente, uma pesquisa realizada na USP mostrou que essas mesmas cascas de crustáceos podem gerar materiais hospitalares.

O novo material poderá contribuir para eliminar um dos maiores gargalos enfrentados pelas fábricas hoje, que é o da destinação do lixo industrial, já que os metais pesados, em altas concentrações, são danosos ao meio ambiente e à saúde, não se degradando nem mesmo pela ação do tempo.

Técnica de adsorção

A técnica de adsorção, explica Claudio Airoldi, é relativamente simples e barateia o processo como um todo, por isso ela foi a escolhida neste trabalho.

Nos testes, realizados no Laboratório de Termoquímica de Materiais (Latemat), foi selecionado um metal para simulação das mesmas condições que possivelmente ocorrem em um efluente, retirando-o completamente da água para não contaminar o meio ambiente. "A experiência foi bem-sucedida e de grande aplicabilidade, pois levou à determinação não somente qualitativa, mas também quantitativa dos efeitos que acontecem perante o metal."

O foco dessa investigação, segundo Elaine, consistiu em utilizar um recurso que modificasse algumas propriedades químicas da quitosana a fim de submetê-lo a uma série de reações, com vistas a aumentar a adsorção dos metais e, com isso, favorecer a despoluição de rios.

A ideia era melhorar a qualidade da água, principalmente nos tratamentos que devem ser feitos nas indústrias antes desses efluentes (produtos líquidos ou gasosos) serem lançados ao meio ambiente.

Com essa descoberta, a pesquisadora já planeja testar outras reações em misturas com quitosana, desta vez em fármacos, com a finalidade de que os tratamentos sejam muito mais adequados. Elaine Lima e Claudio Airoldi acreditam que outras novas pesquisas que vierem nesta linha serão promissoras.

Os chamados metais pesados podem ocasionar câncer, tanto em decorrência da exposição a eles quanto do seu efeito cumulativo no organismo humano, além de sua atuarem no sistema nervoso central, em particular no caso do chumbo.

Quitosana

A pesquisadora conta que adotou a quitosana por ser um material muito abundante na natureza. "A proposta era aprimorar propriedades como a sua capacidade de adsorver e de complexar metais e, deste modo, adotá-la no futuro para tratamento de efluentes reais de indústrias de modo geral", afirma Elaine. "Portanto, estes materiais poderão ser empregados com êxito na remoção de cátions metálicos desses efluentes, atuando como agentes na diminuição dos efeitos tóxicos causados por metais pesados e também na renovação do ecossistema."

Na pesquisa, após a modificação química da quitosana com cloretos orgânicos e posterior imobilização de aminas (base orgânica nitrogenada, derivada do amoníaco, que entra na composição dos aminoácidos), Elaine percebeu uma estreita, mas clara, relação com o favorecimento da adsorção de metais, comparada à quitosana pura, não-modificada.

"Vimos que a modificação neste caso garantiu uma maior adsorção e que a calorimetria auxiliou a perceber a energética, ou seja, como ocorre a interação entre a quitosana modificada e os metais estudados, um dado valioso na literatura e que seguramente terá condições de dar sustentação a novos trabalhos", relata Claudio Airoldi.

Segundo o orientador do trabalho, a modificação química deve ser ressaltada nesse processo, isso porque parte de um material que é transformado para se tornar cada vez mais com potencial de uso. "Isso é fundamental porque, nos dias de hoje, o que se busca são primeiramente materiais não-tóxicos, isto é, biocompatíveis. No caso da quitosana, ela é até comestível, não representando problema algum ao organismo."

Ele relata que esses materiais garantem grande aplicabilidade, dentro da qual o que se procura no momento é obter a quitosana para interagir com fármacos que sejam aplicados com propriedade ao ser humano, para que haja uma liberação paulatina de seus princípios durante um dado tratamento médico. Os pesquisadores, diz, têm-se debruçado em estudar novas fronteiras para o uso da quitosana, cujo alvo é a liberação controlada.

Calorimetria

Um dos instrumentos utilizados na pesquisa de Elaine Lima, e que é muito restrito no meio acadêmico brasileiro, foi o calorímetro. A calorimetria estuda as trocas de energia entre corpos ou sistemas quando essas trocas se dão na forma de calor.

Através da calorimetria, é possível fazer a determinação quantitativa dos efeitos que acontecem por exemplo na matéria, a quitosana, com uma outra espécie, no caso o metal. Com sua ajuda é possível orientar de que maneira este material pode melhor extrair determinados metais em relação a outros.

No Laboratório de Termoquímica de Materiais, Claudio Airoldi atua mais com materiais que têm como característica serem adsorventes, ou seja, que podem retirar espécies indesejadas do meio estudado. Porém, com o passar do tempo, o seu interesse foi se direcionando para os biomateriais, que derivam de plantas, sendo os mais destacados a celulose e a quitosana.

Com a celulose é mais difícil de se trabalhar do ponto de vista químico, esclarece o professor. Logo, o direcionamento maior foi para a quitosana, visto que ela é extraída de vários pequenos animais e pode trazer o mesmo direcionamento na pesquisa. Em termos de reatividade, ela é bem mais ativa do que a celulose, o que facilita a sua modificação química e, consequentemente, dá-lhe uma utilidade mais aprimorada.

Biopolímero

A quitosana é um biopolímero.

Ela é obtida a partir da quitina, um outro biopolímero, hoje o segundo material mais abundante da natureza, após a celulose, e que tem como principais fontes naturais as carapaças de crustáceos como caranguejo, camarão e lagosta, sendo também encontrada em insetos, moluscos e na parede celular de fungos.

Devido à sua abundância na costa marinha brasileira, existe uma grande quantidade de crustáceos que são rejeitos. A reutilização desses rejeitos, para retirada da quitina e posterior emprego como quitosana, tem chamado a atenção da comunidade científica há muito tempo.

A quitosana é aplicada em diversas áreas, principalmente nas áreas farmacêutica e alimentícia. Em si, ela já possui propriedades que garantem um bom material, um bom adsorvente, que foi, no presente caso, a retirada de metais, corantes, poluentes orgânicos e inorgânicos em geral.

"O que de fato queríamos era utilizar este material para usufruir de suas propriedades, amplamente difundidas na literatura, para então modificá-lo, aumentando essa capacidade e, com isso, também obter dados calorimétricos que são ainda inéditos, a priori com este material modificado e com os metais utilizados", constata Claudio Airoldi, que orienta nesta linha atualmente dois alunos de mestrado, dez de doutorado, dois de pós-doutorado e um de iniciação científica.


Bibliografia:

Chitosan-cyanuric chloride intermediary as a source to incorporate molecules - Thermodynamic data of copper/biopolymer interactions
Elaine C.N. Lopes, Kaline S. Sousa, Claudio Airoldi
Thermochimica Acta
Vol.: 483, Issues 1-2, Pages 21-28
DOI: 10.1016/j.tca.2008.10.022

The effectiveness of the protected amino group on crosslinked chitosans for copper removal and thermodynamic of interaction at the solid/liquid interface
Margarete O. Machado, Elaine C.N. Lopes, Kaline S. Sousa, Claudio Airoldi
Carbohydrate Polymers
Vol.: 77, Issue 4, Pages 760-766
DOI: 10.1016/j.carbpol.2009.02.031



domingo, 19 de setembro de 2010

Reúso de água é questão cultural

O professor Ivanildo Hespanhol defende a cobrança pelo uso da água como instrumento de preservação dos recursos hídricos e o incentivo ao reúso para fins não potáveis. As indústrias são as grandes interessadas.

A água não é inesgotável em nenhum lugar do mundo, mas alguns países convivem com a escassez desse recurso há muito mais tempo e, por isso mesmo, incorporaram a prática do reúso de água a sua cultura. No Brasil, reutilizar água para fontes não potáveis ainda é algo pouco usual e visto com preconceito. No entanto, algumas companhias vêem descobrindo que podem economizar muito dinheiro ao reaproveitar a água em seus processos industriais e a estimativa é de que, nos próximos anos, isso se torne cada vez mais comum.

O professor Ivanildo Hespanhol, diretor do CIRRA – Centro Internacional de Referência em Reúso em Água, vinculado ao Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, critica a postura padrão dos brasileiros em relação ao uso da água e a compara à dos romanos, no início do milênio, que buscavam água cada vez mais longe, à medida que poluíam os rios próximos. “É preciso que haja uma mudança de paradigma que se baseie no princípio da conservação e do reuso de água”, defende. Essa transformação já está começando a acontecer, mas a principal motivação ainda é o bolso.

“Há cinco anos, a questão da água não era um problema no Brasil. A indústria não sabia como gastava esse recurso. Hoje, sabe-se quanto vai para a irrigação de um cultivo, para o resfriamento, para a limpeza do local e o quanto é gasto, de fato, na produção. Com isso, é possível controlar melhor o desperdício, modificar o processo de desenvolver sistemas que consomem menos água e geram menos efluentes”, explica Hespanhol.

COBRANÇA DO USO DA ÁGUA
A preocupação em mapear a água consumida e também o esgoto descartado tem sido estimulada pela cobrança pelo uso da água em algumas bacias do país, como a do Rio Paraíba do Sul e as dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, no estado de São Paulo. O professor esclarece que a lei de cobrança pelo uso da água não permite que os recursos financeiros vão para o Tesouro Nacional; eles são ficam na própria bacia hidrográfica e são utilizados para controlar a poluição das águas e melhorar a qualidade daqueles mananciais.

Nesses casos, a empresa precisa pagar tanto pela permissão da captação de água da bacia quanto pelo lançamento dos efluentes – nesse caso, o valor é calculado a partir da quantidade de água gasta para diluir o volume e a carga poluidora do material descartado, de modo que o rio ou córrego mantenha a sua qualidade. Atualmente, paga-se R$ 9,69 por metro cúbico de água captada. Somando-se a deposição do esgoto, o valor do metro cúbico pode chegar a R$20. Segundo o professor, esse valor tende a aumentar com o tempo.

VANTAGEM ECONÔMICA
É isso o que tem motivado as indústrias a se esforçarem tanto para reduzir o desperdício quanto para reaproveitar a água já captada, transformando-a em matéria-prima para outros processos, antes de descartá-la na natureza. Ivanildo Hespanhol diz que o reúso de água pode diminuir a captação entre 40% e 80% e o retorno do investimento gira em torno de 18 meses. “A gestão ambiental deixou de ser um estorvo para se tornar um instrumento de economia”, observa Hespanhol. 

Hoje, já existem empresas pensando em construir pequenas estações de tratamento de água para despoluir seus efluentes antes de lançá-los nos mananciais. Só na cidade de São Paulo, estão instaladas cerca de 130 mil indústrias, sendo 8 mil entre médias e grandes. Se todas adotassem a mesma postura, certamente os rios da cidade teriam outra qualidade.

Há ainda um novo tipo de negócio surgindo: são as empresas de BOT – Build Operation Transfer, que constroem o sistema de reúso de água para a indústria que contrata seus serviços e o mantém por um período de cinco a dez anos. A indústria tem a comodidade de apenas pagar pela utilização do serviço e a empreiteira resgata o valor investido e ainda tem lucro. Depois disso, o sistema pode ser transferido para a indústria ou não, nessa caso, trata-se de uma BOO – Build Own Operate. 

Segundo Hespanhol, a prática do reúso será mais efetiva se houver mais vontade política em promovê-la, por meio de financiamentos, por exemplo, e se for criado um arcabouço legal que estabeleça critérios claros para a reutilização do recurso – de forma que seja garantida a qualidade necessária em cada processo – e preveja a possibilidade de subsídios para os adeptos da iniciativa.

LEGISLAÇÃO
Para o professor, ainda não possuímos uma legislação eficaz para a implementação do reúso de água, mas esses padrões legais poderiam ser de responsabilidade do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente, que possui mais força do que o Conselho Nacional de Recursos Hídricos.

Atualmente, o reúso é contemplado pela Portaria 54, do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, ainda em andamento. “Depois de criada uma legislação-mãe que conceitue e classifique os tipos de reúso, serão necessárias outras, mais específicas, para cada tipo de reúso”, afirma Ivanildo Hespanhol. 

O assunto é delicado e cheio de minúcias. A água que pode ser reutilizada para lavar garagens não é a mesma que se usa para regar um jardim, que também é diferente da que pode reabastecer um aqüífero, ser destinada à construção civil ou aproveitada em um vaso sanitário.

Além de ser fundamental garantir a saúde das pessoas – uma água que entre em contato direto com seres humanos precisa ser livre de coliformes fecais –, também é importante observar especificidades técnicas. Para a indústria do cimento, por exemplo, é importante que a água de reúso não contenha óleos ou graxas, caso contrário, o concreto não endurece.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Cimento sustentável reduz emissão de CO2 nas obras

5% de todo carbono lançado na atmosfera brasileira vem da área de contrução civíl



Por Carlos Santos.


Existem várias maneiras de colocar a sustentabilidade dentro de casa, uma delas é a reforma sustentável.
Desde a construção até a decoração existem possibilidades para tornar esse processo amigável ao meio ambiente. Pequenos cuidados como o uso racional da água e da eletricidade durante as obras podem representar mudanças significativas no impacto ambiental.

Além disso o mercado de construção civil traz várias opções para deixar sua casa mais verde. O CPIII, por exemplo, é um cimento sustentável.

Os tipos convencionais possuem em sua composição um elemento chamado clínquer. A queima de uma tonelada de clínquer libera na atmosfera praticamente a mesma quantidade em CO2.

No caso do CPIII esse material é usado em menor quantidade, ele é misturado com escórias siderúrgicas (pequenos detritos resultantes do processo da fusão de metais). Opção que barateia o preço, dá uma maior durabilidade para o produto e ainda ajuda o meio ambiente.

A adição da escória no processo de fabricação do cimento representa uma redução de 2,5% na emissão de gás carbônico. Esses númenos se tornam significativos quando colocados diante da produção anual de cimento no Brasil, que ano passado foi de 50 milhões de toneladas.

A arquiteta Marcia Mikai Junqueira de Oliveira conta que esse tipo de cimento pode ser utilizado sem nenhum problema.

“O CPIII pode ser utilizado na maioria das construções, em quase todas as necessidades da obra (assentamento de alvenaria, argamassa, contrapiso, etc.) o que o difere dos outros cimentos é o tempo de cura e resistência”, diz.
Empresas como Votorantim e Lefarge produzem o CPIII
Outra opção para a construção é a utilização do solo-cimento. Uma mistura homogênea de solo, cimento e água. É utilizado de quatro maneiras principais, tijolos ou blocos, pavimento, parede maciça, ensacado. Os tijolos e os blocos, diferente de sua produção convencional são feitos em prensas, dispensando a queima em fornos.
Marcia trabalha com projetos sustentáveis e é conselheira Fiscal do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS). Segundo ela tanto o CPIII como os tijolos de solo-cimento são ótimas opções para construções sustentáveis.
“O tijolo de solo-cimento tem a possibilidade de trabalhar de maneira integrada com ferragem para a estrutura e também com as instalações elétricas e hidráulicas, o que pode gerar economia na execução. O inconveniente é que eventuais futuras mudanças na edificação podem ser mais difíceis de serem efetuadas”, afirma.

Rodovia dos Bandeirantes é refeita com asfalto ecológico

Em 2010, a Rodovia dos Bandeirantes foi eleita a melhor do país, pela quinta vez consecutiva, pelo Guia Quatro Rodas, da Editora Abril, e, hoje, dia 10 de setembro, a Rodovia ganhou mais um título para comemorar: o de uma das mais ecológicas do Brasil. 

Isso porque a concessionária CCR Autoban, que administra o sistema paulista Anhanguera-Bandeirantes desde 1998, inaugurou hoje o primeiro trecho da rodovia recuperado de forma ecológica: uma das camadas estruturais da pista foi reconstruída com pavimento reciclado e o revestimento da superfície foi feito com asfalto-borracha, produzido a partir de pneus velhos. 

Parte do processo de reciclagem do pavimento usado para reconstruir o trecho – localizado entre os km 85 e 78, da pista sentido capital – ainda foi feito no próprio canteiro de obras da rodovia, em uma “usina móvel”, diminuindo as emissões por transporte. O asfalto velho foi retirado da pista, triturado e enriquecido com cimento e pó de pedra no próprio local e ,depois, reaplicado. 

De acordo com a CCR Autoban, a operação reciclou 450 mil pneus – que levam cerca de 600 anos para se decompor – e o equivalente a 36 piscinas olímpicas cheias de asfalto velho, reduzindo a quantidade de resíduos produzidos nas obras de recuperação da Rodovia. Ainda segundo a concessionária, o novo asfalto não traz, apenas, benefícios ambientais para a cidade: o pavimento ecológico gera menos ruídos e maior aderência dos pneus, além de ser mais durável, o que proporciona mais segurança e conforto aos motoristas que transitam pela rodovia. 

Até 2011, a CCR Autoban pretende recuperar, de forma ecológica, 600 km de pistas da Rodovia dos Bandeirantes, a partir do investimento de R$ 82 milhões.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Fezes de ave são negócio lucrativo no Peru


Fertilizante orgânico
O Peru é o maior produtor de um principais fertilizantes naturais e totalmente orgânicos encontrado no mundo: o guano, feito dos excrementos de pássaros como o cormorão guanay e o piquero e o pelicano.
A indústria existe há séculos na costa do Peru, mas agora as ilhas do Pacífico são exploradas em um sistema de rodízio, com o objetivo de respeitar o habitat das aves e permitir a recomposição das montanhas de fezes.
Embora as autoridades peruanas tentem manejar sustentavelmente a indústria, cientistas alertam que a população de animais marinhos ainda enfrenta a ameaça da pesca excessiva de anchovas, principal alimento dos pássaros.
O estoque de peixes também depende da corrente de Humboldt, que empurra a água da Antártica para o Equador e que é cada vez mais afetada pelo fenômeno El Niño.
Mesmo assim, a população de pássaros marinhos aumentou de 3,2 milhões para 5 milhões nos últimos quatro anos, mas isso nem se compara aos 60 milhões que já existiram no país.
Guano
As fezes de pássaro já foram o centro da economia peruana, e chegaram a provocar guerras com os países vizinhos no século 19.
Nos platôs da ilha Guanape Sur, há ninhos de piqueros peruanos e milhares de cormorões guanay, chamados assim por causa da grande quantidade de fezes ricas em nitrogênio que depositam no solo.
Em alguns lugares, os depósitos têm vários metros de profundidade.
O guano, uma palavra da língua nativa da região, o quíchua, exerce um papel crucial na expansão da indústria de produtos orgânicos do país.
Fazendas de produtos orgânicos
Quase um milhão de pequenos fazendeiros de produtos orgânicos têm suas plantações tratadas com guano.
O processo de coleta de guano permanece o mesmo há séculos. Trabalhadores extraem as fezes do platô com pás e picaretas, e carregam mais de cem sacos de 50 quilos de guano para barcos à espera do produto.
A maioria dos trabalhadores é de pequenos fazendeiros que investem o salário em suas terras. Eles ganham em média 1,2 mil novos sóis peruanos (cerca de R$ 740) por mês, mais do que o dobro do salário mínimo no Peru.
Os chocolates orgânicos peruanos são venerados na França e um café peruano, Tunki, foi eleito Café do Ano pela Speciality Coffee Association of America, que premia os grãos com melhor sabor produzidos em microclimas especiais no mundo.
Biofábricas
Segundo oficiais da agência, a indústria de guano se expande 40% ao ano, graças à demanda da Califórnia e do Brasil, principais compradores.
São produzidas cerca de cem toneladas de guano por dia, mas a Agrorural, agência de desenvolvimento rural do Peru, pretende coletar mais de 23 mil toneladas este ano.
"É um recurso renovável que você não vai achar em nenhum outro lugar do mundo", diz Rodolfo Beltran, diretor da Agrorural. "Os pássaros marinhos são fábricas de guano, então fazemos o possível para manter o ecossistema deles protegido."

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

IBGE divulga Indicadores de Sustentabilidade do Brasil

Em comparação ao ano de 2007, o Brasil manteve seu ritmo de crescimento econômico e evoluiu nos principais indicadores socioambientais analisados, mas as desigualdades socioeconômicas e os impactos ao meio ambiente ainda são grandes em todo o país, o que compromete o desenvolvimento sustentável do Brasil. Essa é a principal conclusão dos IDS 2010 – Indicadores de Desenvolvimento Sustentável de 2010, divulgados hoje, dia 1 de setembro, pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 

Ao todo, 55 aspectos – ligados direta ou indiretamente ao desenvolvimento sustentável do país – foram analisados pelo Instituto. Para facilitar a avaliação, eles foram divididos em quatro grandes grupos. 

O primeiro, chamado de Dimensão Ambiental, analisou questões referentes à ar, terra, água, biodiversidade e saneamento e concluiu que, apesar de grandes avanços em algumas áreas e estabilidades em outras, ainda existem grandes desafios ambientais a serem superados no país, sobretudo quando o assunto é degradação dos ecossistemas e perda de biodiversidade. Isso porque, apesar de ter diminuído, o desmatamento já atinge14,6% da Amazônia Legal e quase metade do Cerrado. Na Mata Atlântica, a situação também é crítica: restam menos de 10% do território. Enquanto isso, o IDR apontou que as UCs – Unidades de Conservação federais ocupam, apenas, 9% de todo o território brasileiro. 

Os indicadores de Dimensão Ambiental ainda terminaram com um alerta: apesar de continuar baixo, o índice de consumo de substâncias destruidoras da camada de ozônio – presentes, por exemplo, em ar-condicionados, solventes e extintores de incêndio – sofreu um pequeno aumento, com relação ao ano de 2007. O resultado influenciou em outro IDS, referente à qualidade do ar: nas grandes cidades, a poluição atmosférica se manteve estável, mas a concentração de ozônio cresceu, aumentando o risco de casos de câncer e cegueira entre a população (para saber mais, veja o infográfico Sem Proteção: o buraco na camada de ozônio). 

O segundo grupo, nomeado de Dimensão Social, analisou as questões ligadas à satisfação das necessidades humanas, melhoria da qualidade de vida e justiça social, avaliando setores como saúde, educação, habitação e segurança. Entre as conclusões desse grupo, estão: 
– maior redução nas desigualdades de gênero, do que nas de cor e raça; 
– queda da mortalidade infantil e aumento da esperança de vida 
– condições de moradia inadequadas nos domicílios de 43% dos brasileiros e 
– 25,4 mortes por homicídio e 20,3 por acidente de transporte, a cada cem mil habitantes. 

Questões ligadas ao desempenho macroeconômico do país e aos padrões de produção e consumo foram reunidas no grupo de Dimensão Econômica, que mostrou que: 
– em 2009, o consumo de energia anual de cada brasileiro chegou a 48,3 gigajoules – o segundo maior índice da história do país – e a eficiência energética do uso não aumentou; 
– quase metade da energia brasileira provém de fontes renováveis e 
– mais de 90% das latas de alumínio produzidas hoje no Brasil são recicladas. 

Por fim, o grupo denominado Dimensão Institucional analisou questões que dizem respeito aos esforços feitos pela sociedade e, principalmente, pelo governo para ajudar no desenvolvimento sustentável do Brasil. A avaliação mostrou que, nesse aspecto, os avanços do país se concentraram no acesso à telefonia e internet: os domicílios que possuem acesso à rede quase triplicaram entre 2001 e 2008 e o acesso à telefonia móvel dobrou de volume em quatro anos. Além disso, os IDS apontaram que o investimento nacional em Pesquisa e Desenvolvimento aumentaram de R$ 12 bi, em 2000, para R$ 32,7 bi, em 2008, embora ainda não representem mais de 1% do PIB brasileiro.

Veja o IDS 2010, na íntegra.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Consumo de água na cadeia produtiva

É cada vez mais comum se deparar com informações sobre a quantidade de água que se gasta para produzir bens de consumo. O que pouca gente sabe é como esse cálculo é feito e quanto o resultado pode variar de um país para outro ou mesmo entre fabricantes em locais próximos.

Segundo a organização internacional Water Footprint*, a pegada de água de um produto ou serviço é a soma dos volumes de água doce consumidos e/ou poluídos ao longo de sua cadeia de produção. Entram nesse cálculo a utilização das águas de chuva, das águas superficiais e subterrâneas e mais a quantidade necessária para diluir os poluentes lançados nos cursos d’água, de modo que seus padrões de qualidade sejam mantidos. 

O órgão também esclarece que a diferença entre o conceito de água virtual e de pegada de água é que, no segundo caso, além de se considerar o volume de água consumido, leva-se em conta o local de produção dos bens, a fonte da água e em que ponto da cadeia ela é utilizada. Essas informações são importantes para medir de forma mais precisa o impacto de cada produto sobre os recursos hídricos do planeta. 

Quando nos deparamos com informações do tipo: 
- para se produzir um quilo de arroz, gastam-se 3 mil litros de água; 
- um quilo de carne de boi, 15.500 litros de água; 
- um litro de leite, mil litros de água e 
- uma xícara de café, 140 litros de água, estamos diante da média global de consumo de água na cadeia produtiva dessas mercadorias. Mas esses dados podem variar muito de um país para outro e mesmo entre produtores de locais não muito distantes, que utilizem tecnologias diferentes. A própria Water Footprint tem mapas que mostram a enorme variação da pegada de água em função do local onde um produto é fabricado. 

Antônio Felix Domingues, coordenador de comunicação e articulação da ANA – Agência Nacional das Águas, diz que, em certos países como o Brasil, nem sempre é fácil obter as informações das empresas sobre o uso da água nas cadeias de seus produtos e a média de consumo, às vezes, diz pouco na prática. “Os fabricantes estão em diferentes estágios tecnológicos, têm portes variados e muitas não gostam de entregar seus dados porque temem a concorrência ou sonegam impostos”. Para ele, os dados mais fiéis são os relacionados à irrigação, facilmente identificáveis por satélite. 

Felix ainda lembra que os processos produtivos variam muito de um país para o outro. “O pasto para o boi, no Brasil, geralmente não é irrigado, ao contrário do criado no exterior. Nós conseguimos duas safras de milho sem irrigação, enquanto a França só produz uma e irrigada”. Ainda assim, ele reconhece a validade do conceito: “A pegada de água nos desperta a consciência de que tudo o que produzimos e adquirimos consome água e podemos usá-la de maneira mais responsável”. 

COMO FAZER A CONTA 
Ainda que se refiram apenas à média de consumo de água, os números elevados e tão diferentes entre um produto e outro chamam a atenção de leigos e despertam a curiosidade sobre como é feito o cálculo da pegada de água. 

A Water Footprint tem um extenso manual que explica, por meio de fórmulas matemáticas complexas, o percurso da equipe de pesquisadores até chegarem aos valores finais. De maneira resumida e simplificada, a conta é feita assim: 

PEGADA DE ÁGUA DE UM ANIMAL
Somatória da água utilizada em sua alimentação, mais a água que ele bebe e a que é utilizada em serviços de higiene e cuidados. 

A pegada de água de um quilo de bife de boi (15.500 litros) considera que, normalmente, o animal é abatido com três anos de vida e gera, aproximadamente, 200 kg de carne sem osso. 

Ao longo da vida, o boi consome em torno de 1.300kg de grãos (entre trigo, aveia, cevada, milho, ervilha seca, farelo de soja e outros), 7.200 kg de pastagem, feno e silo, bebe 24 m³ de água e gasta outros 7 para sua manutenção. 

Essa soma é dividida pelos 200 kg de carne produzidas pelo boi.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

YeZ: carro chinês absorve CO2 do ar

O mais novo protótipo de veículo ecológico da China, o YeZ, é totalmente movido a energias limpas: além de produzir energia solar e eólica, o carro absorve CO2 para gerar eletricidade e o devolve para o ar em forma de oxigênio

Uma montadora chinesa levou ao pé da letra o conceito de carro ecológico e criou este carro-folha. O veículo foi projetado para funcionar como uma planta, ou seja, ele absorve CO2 e libera oxigênio na atmosfera. A ideia é criar um veículo para 2030 que realize o mesmo trabalho que as plantas fazem durante a fotossíntese. 

O veículo YeZ (palavra que em mandarim significa folha) seria movido a energias limpas: o teto absorveria energia solar e as rodas teriam pás para gerar energia eólica. Mas a grande sacada é que o veículo de dois lugares conseguiria remover dióxido de carbono do ar, grande vilão do aquecimento global, com uma liga mista (orgânica e metálica) capaz de absorver CO2 e água, transformando-os em eletricidade armazenada em uma bateria de lítio. Estamos esperando essa folha brotar.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Energia limpa

Energia limpa: o nome já traduz o que seria esta forma de energia, ela polui muito menos o meio ambiente, comparado com as fontes de energia fósseis. 

São cinco os principais tipos de energia limpa – aquela que não libera (ou libera poucos) gases ou resíduos que contribuem para o aquecimento global, em sua produção ou consumo

Saiba, a seguir, um pouco mais sobre essas fontes energéticas: 

• SOLAR 
A energia luminosa do sol é transformada em eletricidade por um dispositivo eletrônico, a célula fotovoltaica. Já as placas solares usam o calor do sol para aquecer água. Maiores produtores: Japão e EUA. 
PRÓS: fonte inesgotável de energia; equipamentos de baixa manutencão; abastece locais aonde a rede elétrica comum não chega. 
CONTRAS: producão interrompida à noite e diminuída em dias de chuva, neve ou em locais com poucas horas de sol. 

• EÓLICA 
O vento gira as pás de um gigantesco catavento, que aciona um gerador, produzindo corrente elétrica. Maiores produtores: Alemanha, Espanha e EUA. 
PRÓS: fonte inesgotavel de energia; abastece locais aonde a rede elétrica comum não chega. 
CONTRAS: poluicão visual (um parque eólico pode ter centenas de cataventos) e, às vezes, sonora (alguns cataventos são muito barulhentos); morte de pássaros (que, muitas vezes, se chocam com as pás dos cataventos). 

• DAS MARÉS 
As águas do mar movimentam uma tur bina que aciona um gerador de eletricidade, num processo similar ao da energia eólica. Não existe tecnologia para exploracão comercial. Franca, Inglaterra e Japão são os pioneiros na producão. 
PRÓS: fonte de energia abundante capaz de abastecer milhares de cidades costeiras. 
CONTRAS: a diferenca de nível das mares ao longo do dia deve ser de ao menos 5 metros; producão irregular devido ao ciclo da maré, que dura 12h30. 

• BIOGÁS 
Transformacão de excrementos animais e lixo orgânico, como restos de alimentos, em uma mistura gasosa, que substitui o gás de cozinha, derivado do petróleo. A matéria-prima é fermentada por bactérias num biodigestor, liberando gás e adubo. 
PRÓS: substitui diretamente o petróleo; dá um fim ecológico ao lixo orgânico; gera fertilizante; os produtores rurais podem produzir e até vender o gás, em vez de pagar por ele. 
CONTRA: o gás é difícil de ser armazenado. 

•BIOCOMBUSTÍVEIS 
Geracão de etanol e biodiesel para veículos automotores a partir de produtos agrícolas (como semente de ma mona e cana-de-acúcar) e cascas, galhos e folhas de árvores,que sofrem processos físico-químicos. O Brasil está entre os maiores produtores mundiais. 
PRÓS: substitui diretamente o petróleo; os vegetais usados na fabricacão absorvem CO2 em sua fase de crescimento. 
CONTRA: producão da matéria-prima ocupa terras destinadas a plantio de alimentos.

Estudo revela potencial econômico nas florestas do Pará

A exploração sustentável de madeira e a coleta de castanha-do-pará nas florestas estaduais da Calha Norte, no Pará, podem gerar R$ 4,4 bilhões e mais de 8 mil empregos diretos e indiretos na região, a partir de 2013, segundo relatório publicado pelo Imazon.

Nesta quinta-feira, dia 19 de agosto, o Imazon – Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazôniadivulgou os resultados do relatório “Potencial Econômico nas Florestas Estaduais da Calha Norte”, que avaliou a região paraense por cerca de cinco meses para calcular seu potencial de geração de receita, emprego e tributos, a partir da realização de atividades de manejo sustentável. 

O principal resultado do estudo mostrou que, em cerca de 20 anos, a exploração sustentável de madeira e a coleta de castanha do Pará na região da Calha Norte – que é uma das mais bem conservadas da Amazônia e possui o maior mosaico de áreas protegidas do mundo – pode gerar uma renda de até R$ 4,4 bilhões, que beneficiará sobretudo os municípios de Almeirim, Monte Alegre, Alenquer, Oriximiná e Faro. 

Além disso, o relatório mostrou que as atividades de manejo florestal na região podem proporcionar, a partir de 2013, cerca de 8.900 empregos diretos e indiretos. De acordo com um dos pesquisadores do Imazon e autor do estudo, Adalberto Veríssimo, os benefícios dessas atividades econômicas nos campos de geração de renda e empregos pode ser ainda maior, porque o estudo foi feito em um “cenário conservador”. 

Isso significa que, apenas, as principais atividades econômicas sustentáveis que podem ser aplicadas na região – ou seja, exploração de madeira e colheita de castanha-do-pará – foram levadas em conta no relatório. Ao considerar outras atividades, como ecoturismo, mineração e coleta de outros produtos não-madeireiros, Veríssimo acredita que os benefícios para a Calha Norte podem ser ainda maiores. Para comprovar essa ‘suspeita’, uma nova etapa do estudo iniciará em breve. 

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Medidas antitráfego

ONG Movimento Nossa São Paulo propõe medidas antitráfego. Conheça as principais propostas do plano que prioriza a circulação de ônibus e bicicletas e quais as possibilidades de que eles venham a sair do papel em breve.

Anunciada no último dia 28 de julho pelo prefeito Gilberto Kassab, a restrição ao trânsito de caminhões e motos em um trecho da Marginal Pinheiros e nas avenidas dos Bandeirantes e Jornalista Roberto Marinho seguiu um roteiro comum às regras que organizam o vaivém na cidade: foi apresentada às vésperas de entrar em vigor. “Boas ou ruins, as mudanças nessa área são feitas sempre na base da canetada”, afirma Maurício Broinizi, coordenador executivo do Movimento Nossa São Paulo, ONG criada em 2007. Por não enxergar na cidade nenhum plano geral de mobilidade, o movimento resolveu apresentar um à prefeitura. O estudo será enviado à Câmara de Vereadores em setembro. Se forem postas em prática, as medidas acabarão por espremer ainda mais o espaço dos carros de passeio. “Nosso sistema viário não dará conta do crescimento da frota nos próximos anos” acredita Broinizi. Conheça as principais propostas e qual a possibilidade de que venham a sair do papel em breve:

AUMENTAR O NÚMERO DE CORREDORES DE ÔNIBUS
Viabilidade: média
A ideia é reservar faixas exclusivas para ônibus em praticamente todas as vias de grande tráfego da cidade. Como primeira consequência, haveria a redução do espaço para os motoristas e o aumento dos congestionamentos. “Isso deixará de ser um problema quando o público que anda de carro passar a ver o corredor como um benefício”, diz Broinizi. O exemplo é o programa Transmilenio, implantado em 1998 por Bogotá, na Colômbia: faixas exclusivas com pontos de ultrapassagem entre os ônibus e cobrança de bilhete único nas estações, para não haver demora no embarque. Lá, os coletivos têm capacidade para até 240 pessoas, passam a cada quatro minutos e andam à velocidade média de 27 quilômetros por hora. Segundo a prefeitura de Bogotá, um em cada cinco motoristas adotou o ônibus. “O custo do quilômetro de um bom corredor fica em torno de 90 milhões de reais. É um quarto do valor do quilômetro do metrô e não leva décadas para ficar pronto”, explica Broinizi. 

TIRAR DO PAPEL AS CICLOVIAS PROJETADAS 
Viabilidade: alta
O Plano Diretor Estratégico do município para o período de 2006 a 2012 prevê a criação de 367 quilômetros de ciclovias, ligando terminais de ônibus, trens e metrô. Hoje, a cidade tem cerca de 50 quilômetros, 20 deles dentro de parques. Com população pouco menor que a de São Paulo, Nova York conta com 675 quilômetros de ciclovias.

DIMINUIR OS DESLOCAMENTOS 
Viabilidade: baixa
Não tem a ver com carros ou ruas, mas interfere no trânsito: a cidade ficará menos congestionada se as pessoas encontrarem o que procuram perto de casa. “Em Amsterdã, na Holanda, os estudantes não caminham mais de quinze minutos até o colégio”, afirma Broinizi. Sai caro criar pequenos hospitais e escolas em cada esquina, mas, ainda assim, o Movimento Nossa São Paulo acredita que é possível aproveitar esse modelo no planejamento diário. E evitar a centralização. “Quando transferiram a sede do Tribunal do Júri do Fórum de Santo Amaro para a Barra Funda, em 2008, 3 milhões de pessoas ficaram desassistidas”, conta Broinizi. Agora, sempre que precisam resolver algum problema com a Justiça, têm de ir até a Zona Oeste.

DAR PRIORIDADE AO PEDESTRE
Viabilidade: alta
De quatro pessoas que morrem por dia no trânsito de São Paulo, duas são pedestres, segundo o Movimento Nossa São Paulo. Para mudar esse quadro, a cidade necessita de calçadas mais adequadas a deficientes físicos, mais faixas para atravessar a rua e maior fiscalização aos avanços de sinal. Nem a Avenida Paulista, no coração da cidade, escapa das críticas. Para Broinizi, os sinais de trânsito não dão tempo para os idosos atravessarem de um lado ao outro e eles ficam ilhados no meio da avenida.

CRIAR UM PLANO DE MOBILIDADE
Viabilidade: alta
A ONG propõe a criação de um fórum de discussão do governo com a sociedade. O exemplo é o Pacto pela Mobilidade, de Barcelona, na Espanha, que reúne prefeituras, sindicatos de motoristas, associações de vítimas de acidentes de trânsito e empresas que dependem do transporte de mercadorias. “Beneficiários e potenciais afetados pelas mudanças no trânsito, todos sentam à mesma mesa. É importante entender para onde São Paulo vai”, diz Broinizi.