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Educação a Distância
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quarta-feira, 20 de abril de 2011

O impacto das smart grids nas cidades


O mundo rico começa a descobrir as smart grids, redes elétricas inteligentes por meio das quais o consumidor pode gerar sua própria energia e vendê-la no Mercado – a novidade também vai chegar aqui
Seremos todos geradores: no futuro, com externos, até prédios residenciais vão produzir energia
Imagine-se em 2020. Você chega em casa, depois do trabalho, e vai direto para a cozinha conferir, em um medidor digital, se o consumo de energia elétrica está dentro da meta diária que você mesmo traçou. A luz verde indica que sim. O aparelho também revela que, naquele momento, o preço do quilowatt-hora está no pico. Você, então, manda sua filha desligar a prancha de cabelo e seu filho sair do videogame. A boa notícia é que você gerou tanta energia elétrica a partir do sol — graças ao painel fotovoltaico instalado no telhado — que neste mês sua conta de luz vai ficar ainda mais barata. É possível que, no próximo verão, você gere mais energia do que consome e, assim, venda o excedente. Você vai, então, dormir feliz — não sem antes programar o aparelho de ar-condicionado e a lavadora de roupas para ligar durante a madrugada, quando o preço da energia é menor. Toda essa inovação começa a fazer parte do planejamento do sistema elétrico brasileiro — e se baseia em um conceito batizado de smart grids (redes inteligentes, em inglês). "Nos próximos dez anos, nossa rede elétrica vai sair da pré-história", diz André Pepitone, diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

"Será uma revolução comparável ao surgimento do celular na telefonia." A tecnologia dará ao consumidor o poder de decidir como e quando consumir energia — e até gerá-la, a partir do vento, da luz solar ou de gás natural. As empresas que operam o sistema, por sua vez, serão capazes de identificar problemas em tempo real, sem ter de esperar o chamado do cliente. Quando uma árvore cair sobre a fiação da rua, o fluxo de eletricidade interrompido será remanejado a distância pela distribuidora para outras linhas antes que técnicos cheguem ao local. "As smart grids permitirão que o fornecimento de energia seja mais eficiente, moderno, seguro e sustentável", diz o consultor Eduardo Bernini, sócio da Tempo Giusto Consultoria e ex-presidente da AES Eletropaulo.

As novas redes demandarão investimentos de, pelo menos, 15 bilhões de reais — basicamente aplicados na substituição, em todo o país, dos decrépitos medidores analógicos pelos modelos digitais, na instalação de sensores na rede e na modernização dos centros de controle das concessionárias. "As redes inteligentes vão solucionar boa parte dos problemas de energia elétrica nas cidades", diz Guilherme Mendonça, diretor de automação da Siemens do Brasil. 

Até lá, as cidades brasileiras conviverão com redes que demonstram operar no limite, incapazes de sustentar o aumento do consumo de energia — estimado em 5% ao ano até 2020. Os problemas se tornaram recorrentes principalmente nas linhas de transmissão que trazem energia das hidrelétricas.
Em fevereiro, a pane numa subestação sobrecarregada da estatal CTEEP deixou sem luz 2,5 milhões de clientes na Grande São Paulo. Dias antes, uma falha da estatal Chesf já havia deixado 14 milhões de consumidores na Região Nordeste às escuras. A indústria local estimou perdas de 100 milhões de reais com o apagão.

No episódio mais ruidoso, a falha em uma linha de Furnas deixou 18 estados sem luz em 2009. A duração dos cortes de luz aumentou nos últimos dez anos. Em 2000, cada brasileiro passava, em média, 17 horas às escuras. Em 2010, foram 20 horas por ano. "Na geração, não faltará energia para o país crescer", diz Nelson Hubner, presidente da Aneel. "Na distribuição, a qualidade não acompanhou, e estamos cobrando melhorias das empresas." Em todo o mundo, as smart grids são impulsionadas por razões diversas — inclusive a preocupação em produzir energia mais limpa. Na Alemanha, para reduzir a dependência do gás vindo da Rússia, o governo financia a compra de geradores eólicos. Nos Estados Unidos, as empresas querem cortar gastos com pessoal — já que, com a nova tecnologia, parte dos reparos pode ser feita a distância.

No Brasil, a concessionária fluminense Light aposta na nova rede para detectar em tempo real as tentativas de furto de energia — mal que drena 15% da energia fornecida. "Queremos também reduzir o consumo no horário de pico e aumentar a confiança do sistema", diz Pepitone, da Aneel. A agência estima que a rede inteligente permitiria ao país diminuir em até 10% o consumo de energia. Assim como lá fora, a expectativa é que o consumidor brasileiro sinta-se incentivado a produzir a própria energia. "Esse é um caminho para aliviar o sistema e reduzir a incidência de problemas", diz Adriano Pires, sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura.

Além de investimentos, a instalação das redes inteligentes requer a revisão da lei atual. Será necessário permitir que o preço do quilowatt-hora para o consumidor residencial varie ao longo do dia, de acordo com a demanda e com a oferta de energia. "Ao optar pela energia mais barata, o cliente ajudará o país a consumir menos", afirma Jerson Kelman, presidente da Light. Outra mudança em estudo permitirá que a energia produzida em casa, com geradores eólicos, solares ou gás natural, seja vendida pelo cidadão.
A Cemig e sua controlada Light iniciarão testes com medidores digitais neste semestre, com 3 000 clientes da cidade mineira de Sete Lagoas e de uma das 16 favelas pacificadas no Rio de Janeiro. O investimento no projeto é de 65 milhões de reais. As mudanças estão a caminho. Mas, até a idade da luz moderna, o país ainda enfrentará muitos anos nas trevas.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Ônibus ecológico deve começar a circular em Curitiba para testes

Um ônibus híbrido, que funciona com um motor elétrico e outro movido a diesel, deve começar a circular em Curitiba, em fase de testes, na segunda-feira (27). De acordo com a prefeitura, o veículo fará a linha Interbairros II. O “Hibribus”, como é chamado, tem capacidade para até 80 passageiros.
Ainda segundo a prefeitura, o período de testes do ônibus deve durar três semanas. Além de Curitiba, o veículo também está sendo testado em São Paulo e no Rio de Janeiro.
A previsão é de que o “ônibus ecológico” inicie suas viagens às 5h12, no Capão Raso, e seja recolhido às 15h47, para avaliações. O ônibus deve rodar 205 quilômetros por dia.
No sistema híbrido, segundo a prefeitura, o motor elétrico é usado para arrancar o ônibus e chegar a uma velocidade de 20 km/h. Depois, entra em ação o motor a diesel. A energia gerada pelas freadas deve recarregar as baterias do ônibus e, enquanto ele estiver parado, o motor a diesel fica desligado. Estima-se que a emissão de poluentes do ônibus híbrido seja 50% menor do que nos ônibus comuns. 

Fonte: G1)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Cidades já consomem 70% dos recursos naturais do planeta


Paulenir Constâncio

Dados da Organização das Nações Unidas constatam que mais da metade da população mundial está nas cidades e já é responsável pelo consumo de 70% de todos os recursos que o homem retira da natureza. Até 2050, com a estimativa de que a população do planeta supere 9,2 bilhões, a Terra terá 6 bilhões de habitantes, quase 90% da população atual, vivendo no espaço urbano. Diante desses números, governos estaduais, prefeituras e comunidades precisam reconhecer o valor do capital natural (água, solo, biodiversidade). Os formuladores de políticas públicas têm razões de sobra para tentar encontrar, o mais rápido possível, soluções de combate à degradação dos ecossistemas e minimização da perda da biodiversidade.

O alerta está no relatório "A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade para Políticas Locais e Regionais (TEEB, sigla em inglês)", lançado no Brasil, em workshop realizado nesta quinta-feira (09/09) em Curitiba (PR) e simultaneamente na Bélgica, Índia, Japão e na África do Sul. Nele, 140 especialistas das áreas de ciência, economia e política de mais de 40 países concluíram que os serviços ambientais podem impulsionar as economias locais, gerar milhões de novos empregos e melhorar a qualidade de vida nas cidades.

Segundo o diretor do Departamento de Biodiversidade do MMA, Bráulio Dias, que representou a ministra Izabella Teixeira no encontro, o relatório "é importante para que os gestores públicos reconheçam o valor econômico da biodiversidade". Par ele, o documento pode ajudar na solução do impasse entre preservação ambiental e desenvolvimento econômico. "Mostra (o TEEB) que os serviços ambientais têm o papel de reduzir os impactos ecológicos do desenvolvimento."

O documento reconhece e recorre a dados e exemplos para demonstrar que ecologia e economia não só podem, como devem, caminhar juntas nas políticas públicas. O relatório levanta, principalmente, a questão de valoração e impacto do uso e preservação dos recursos naturais. Os atuais níveis da pegada ecológica e social do homem, nome que os especialistas dão aos recursos naturais necessários para que cada ser humano viva, devem ser incluídos nas contas de planejamento das economias locais. Bráulio cita como exemplos recentes enchentes e desmoronamentos no Brasil com prejuízos econômicos elevados, e bem superiores ao que seria gasto com medidas de preservação do meio ambiente.

O relatório chama a atenção em três aspectos para as quais as políticas públicas precisam estar voltadas: a distribuição dos benefícios da natureza, o uso do conhecimento científico disponível e o engajamento dos gestores e das comunidades envolvidas nas ações de preservação. O relatório estuda, ainda, áreas protegidas e o aumento dos benefícios locais da conservação, e dá orientações sobre os incentivos de recompensa da boa administração de capital natural local, tais como sistemas de pagamento localmente adaptados por serviços ambientais, certificação e rotulagem.

Esse é o primeiro de uma série de cinco relatórios, que serão levados à Convenção da Biodiversidade (COP-10) em Nagoya, no Japão. Ele contribui também para o Atlas Ambiental online da Agência Europeia de Meio Ambiente, com estudos de vários esforços que já vêm sendo feitos para associar ecossistemas e a biodiversidade nas iniciativas de políticas locais. Segundo Achim Steiner, diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, um dos organismos que realizam o workshop, alguns governos locais já acordaram para o problema da preservação ambiental e têm adotado as medidas necessárias, com ganhos para suas economias locais. "Mas muitos ainda precisam aderir", acredita. 


Saiba mais: http://www.teebweb.org.

BID empresta US$ 162,5 mi a São Paulo para conservar florestas

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou, nesta semana, um empréstimo de US$ 162,5 milhões para a conservação de florestas no Estado de São Paulo.

O dinheiro será investido em um projeto para restaurar e conservar os parques Serra do Mar e Jureia-Itatins, assim como outras áreas de Mata Atlântica que estão em perigo de extinção, segundo o comunicado.

O parque Serra do Mar, criado em 1977, é o maior parque de Mata Atlântica do Brasil, com 315.000 hectares, e no qual vivem 20% das espécies de aves de todo o país.

A revitalização desses parques permitirá melhorar a regulação do clima local, estabilizar os períodos de chuva com uma melhor retenção das águas nos solos e proteger espécies de árvores que são vitais para a biodiversidade da região, completou o BID.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Como transformar as cidades?

A densidade demográfica em pontos específicos do globo não deixa dúvida: o homem, por escolha, optou por áreas urbanas. É lá que estão as melhores oportunidades de emprego, saúde, cultura e lazer - e os maiores problemas. O desafio do momento é transformar esses grandes centros em locais sustentáveis e agradáveis de viver.

Ao contrário das cidades antigas, que eram muradas para evitar o ataque inimigo, as metrópoles de hoje crescem sem limites. Desde 2007, mais da metade da população mundial está na zona urbana. A rapidez com que a migração ocorreu impressiona. No começo do século 20, nove em cada dez pessoas ainda moravam no campo. Mas, a partir da década de 1950, o cenário mudou. "As cidades absorveram quase dois terços da explosão populacional global e hoje o crescimento é de 1 milhão de bebês e migrantes por semana", afirma Mike Davis, professor da Universidade da Califórnia, no livro Planeta Favela.

Tóquio, Nova York, Mumbai, São Paulo, Moscou, Cairo, Xangai: essas são algumas das cidades com mais de 10 milhões de habitantes definidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) como megacidades. "Elas articulam a economia global, ligam as redes informacionais e concentram o poder mundial", diz o cientista social Manuel Castells. Por isso, há tanta gente vivendo no mesmo espaço. É nas regiões mais urbanizadas que se encontram as melhores oportunidades de emprego e renda, bem como de acesso a Educação, saúde, lazer e cultura. Mas nessas aglomerações há também os maiores desafios de gestão socioambiental.

Os problemas de um habitante de São Paulo são diferentes dos enfrentados por um morador de Londres. Nos países desenvolvidos, o desafio é encontrar fontes de energia alternativas para substituir os combustíveis fósseis. Na esfera social, inquieta o crescimento de periferias formadas por imigrantes ilegais. Nos países em desenvolvimento, as questões são mais básicas. "Aqui, precisamos discutir o destino do lixo e do esgoto domésticos e a qualidade do transporte público. Também temos de debater a falta de áreas verdes e a questão das moradias em locais irregulares", diz Pedro Jacobi, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Lá ou cá, o objetivo é o mesmo. "Na construção de cidades sustentáveis, colocamos centralmente o resgate de melhores condições de vida prejudicadas pelo crescimento desordenado", diz Marta Romero, urbanista e professora da Universidade de Brasília (UnB).

É DO SÉCULO 18 A IDEIA DE MANEJO FLORESTAL SUSTENTÁVEL
A palavra sustentabilidade está nas campanhas publicitárias, é escrita com letras grandes na bolsa de pano que substitui a sacola plástica na hora das compras e repetida nos discursos de empresários e políticos. O engenheiro florestal alemão Hans Carl von Carlowitz foi o primeiro a empregar o termo (originalmente, nachhaltigkeit), no livro Silvicultura Econômica, de 1713. Na época, as florestas de sua região, a Saxônia, foram devastadas pela exploração de minas de prata: os terrenos tinham sido desmatados para escavação, e a madeira, utilizada nos fornos a lenha em que se fundia o metal. Carlowitz trabalhava como inspetor geral de mineração do estado e em seu livro sugeriu um manejo florestal sustentável para garantir o estoque de madeira no futuro. Na visão do inspetor, os homens deveriam respeitar o limite de recuperação da floresta e o ritmo de crescimento das árvores para não provocar danos irreparáveis. Ele propunha o replantio de espécies nativas e a substituição da madeira por recursos alternativos. 

No fim dos anos 1960, outra palavra começou a mudar de significado: desenvolvimento. Em 1968, cientistas, industriais, diplomatas e economistas sem vinculação partidária se reuniram em uma vila de Roma, na Itália, para discutir a relação entre recursos naturais e desenvolvimento. Esse grupo ficou conhecido como Clube de Roma. Em seu primeiro relatório, Os Limites do Crescimento, de 1972, o Clube já advertia que o modelo de progresso baseado no uso irracional dos recursos naturais estava falido. Ou seja, desenvolvimento não poderia ser sinônimo apenas de crescimento econômico. No mesmo ano, a ONU realizou a Conferência de Estocolmo, a primeira reunião internacional para discutir o meio ambiente. Mais de uma década depois, em 1983, criou-se a Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas.

Em 1987, a expressão "desenvolvimento sustentável" foi definida no relatório Nosso Futuro Comum, também conhecido como Relatório Brundtland, elaborado pela Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento. Segundo o documento, "desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem colocar em risco a possibilidade das gerações futuras".

ECO-92 INCLUI REDUÇÃO DA POBREZA NA IDEIA DE SUSTENTABILIDADE
O impacto do Relatório Brundtland e a organização cada vez maior dos movimentos ambientalistas culminaram na Conferência Eco-92, realizada na cidade do Rio de Janeiro. A Agenda 21, que sintetiza as propostas da conferência, é um marco porque consagrou a ampliação do conceito de sustentabilidade, que passou a agregar as dimensões social e econômica. Desde a Eco-92, a sustentabilidade não significa apenas usar de forma consciente e eficiente os recursos naturais. "Sustentabilidade é também redução dos níveis de pobreza, criação de emprego e renda, redução das desigualdades e da violência e democratização das informações e decisões", explica a socióloga Lúcia Ferreira, do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Quando a discussão sobre a qualidade de vida nas áreas urbanas ganhou força, em meados da década de 1970, pensava-se que o único jeito de minimizar os impactos ambientais e os problemas sociais era impedir o crescimento das cidades. No entanto, as tentativas de manter as pessoas no campo, por razões econômicas e culturais, foram frustradas. Para Lúcia Ferreira, as cidades são indiscutivelmente polos de atração. "Mas mandar as pessoas de volta a seus locais de origem não resolve. É o momento de rever as políticas públicas", diz.

Não há uma receita para o sucesso, porém boas práticas adotadas no Brasil e no exterior indicam que, sim, é possível escapar do colapso (veja o infográfico na página 64). Para isso, os gestores devem entender as cidades como organismos que precisam entrar em equilíbrio: "O consumo de recursos renováveis não pode exceder a capacidade de reposição deles. Assim como a taxa de emissão de poluentes não pode superar o ritmo de absorção e transformação por parte do ar, da água e do solo", diz Marta.

O arquiteto Carlos Leite, especialista em desenvolvimento sustentável, é otimista (veja artigo à direita). Há mais de dez anos, ele viaja o mundo para conhecer alternativas sustentáveis em lugares separados não apenas pela distância geográfica mas também pelas diferenças culturais. Para ele, as cidades ideais não existem. "Elas são feitas por homens e refletem os problemas dos homens. Mas existem exemplos que evidenciam ser possível mudar e achar as fórmulas para construir cidades mais sustentáveis, onde o encontro das pessoas entre si e com o ambiente seja privilegiado."

CONSTRUINDO NOVOS VALORES 
A discussão sobre a sustentabilidade deverá, no futuro, resultar em mais organização e mobilização da sociedade civil. A escola, no entanto, ainda não cumpre bem o papel de sistematizar essas informações e promover a reflexão crítica. Veja abaixo os principais erros no ensino do conteúdo e como evitá-los.
Propor atividades pontuais, como uma campanha de reciclagem de latas.

- Cabe à escola promover a mudança dos hábitos não sustentáveis, buscando aprimorar as relações das pessoas entre si e com o meio ambiente. 

- Restringir o tema às aulas de Geografia ou Ciências.
Uma escola que adota práticas sustentáveis precisa envolver toda a equipe na mudança de hábitos para desenhar seu "ecossistema".

Impor ações aos alunos sem promover discussões sobre o tema com base no conhecimento científico.
- Crianças e jovens que são informadas e participam das decisões no ambiente escolar têm mais chance de cobrar o poder público e promover ações ambientais.

- Ignorar as relações do contexto local com o global.
Focar a prática da escola na reflexão e na proposta de soluções para os problemas da comunidade, mas relacionando-os ao ecossistema global.

Consultoria - Lúcia Legan, fundadora do Ecocentro do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (Ipec), e Marcos Sorrentino, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP

QUER SABER MAIS? 

Bibliografia
• A Cidade na História, Lewis Mumford, 742 págs., Ed. Martins Fontes, tel. (11) 3082-8042 (edição esgotada)
• Planeta Favela, Mike Davis, 272 págs., Ed. Boitempo, tel. (11) 3875-7285, 41 reais
Internet
• No site do Instituto Brasileiro de Administração Municipal, é possível fazer o download do documento Cidades Sustentáveis.

Fontes:

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Medidas antitráfego

ONG Movimento Nossa São Paulo propõe medidas antitráfego. Conheça as principais propostas do plano que prioriza a circulação de ônibus e bicicletas e quais as possibilidades de que eles venham a sair do papel em breve.

Anunciada no último dia 28 de julho pelo prefeito Gilberto Kassab, a restrição ao trânsito de caminhões e motos em um trecho da Marginal Pinheiros e nas avenidas dos Bandeirantes e Jornalista Roberto Marinho seguiu um roteiro comum às regras que organizam o vaivém na cidade: foi apresentada às vésperas de entrar em vigor. “Boas ou ruins, as mudanças nessa área são feitas sempre na base da canetada”, afirma Maurício Broinizi, coordenador executivo do Movimento Nossa São Paulo, ONG criada em 2007. Por não enxergar na cidade nenhum plano geral de mobilidade, o movimento resolveu apresentar um à prefeitura. O estudo será enviado à Câmara de Vereadores em setembro. Se forem postas em prática, as medidas acabarão por espremer ainda mais o espaço dos carros de passeio. “Nosso sistema viário não dará conta do crescimento da frota nos próximos anos” acredita Broinizi. Conheça as principais propostas e qual a possibilidade de que venham a sair do papel em breve:

AUMENTAR O NÚMERO DE CORREDORES DE ÔNIBUS
Viabilidade: média
A ideia é reservar faixas exclusivas para ônibus em praticamente todas as vias de grande tráfego da cidade. Como primeira consequência, haveria a redução do espaço para os motoristas e o aumento dos congestionamentos. “Isso deixará de ser um problema quando o público que anda de carro passar a ver o corredor como um benefício”, diz Broinizi. O exemplo é o programa Transmilenio, implantado em 1998 por Bogotá, na Colômbia: faixas exclusivas com pontos de ultrapassagem entre os ônibus e cobrança de bilhete único nas estações, para não haver demora no embarque. Lá, os coletivos têm capacidade para até 240 pessoas, passam a cada quatro minutos e andam à velocidade média de 27 quilômetros por hora. Segundo a prefeitura de Bogotá, um em cada cinco motoristas adotou o ônibus. “O custo do quilômetro de um bom corredor fica em torno de 90 milhões de reais. É um quarto do valor do quilômetro do metrô e não leva décadas para ficar pronto”, explica Broinizi. 

TIRAR DO PAPEL AS CICLOVIAS PROJETADAS 
Viabilidade: alta
O Plano Diretor Estratégico do município para o período de 2006 a 2012 prevê a criação de 367 quilômetros de ciclovias, ligando terminais de ônibus, trens e metrô. Hoje, a cidade tem cerca de 50 quilômetros, 20 deles dentro de parques. Com população pouco menor que a de São Paulo, Nova York conta com 675 quilômetros de ciclovias.

DIMINUIR OS DESLOCAMENTOS 
Viabilidade: baixa
Não tem a ver com carros ou ruas, mas interfere no trânsito: a cidade ficará menos congestionada se as pessoas encontrarem o que procuram perto de casa. “Em Amsterdã, na Holanda, os estudantes não caminham mais de quinze minutos até o colégio”, afirma Broinizi. Sai caro criar pequenos hospitais e escolas em cada esquina, mas, ainda assim, o Movimento Nossa São Paulo acredita que é possível aproveitar esse modelo no planejamento diário. E evitar a centralização. “Quando transferiram a sede do Tribunal do Júri do Fórum de Santo Amaro para a Barra Funda, em 2008, 3 milhões de pessoas ficaram desassistidas”, conta Broinizi. Agora, sempre que precisam resolver algum problema com a Justiça, têm de ir até a Zona Oeste.

DAR PRIORIDADE AO PEDESTRE
Viabilidade: alta
De quatro pessoas que morrem por dia no trânsito de São Paulo, duas são pedestres, segundo o Movimento Nossa São Paulo. Para mudar esse quadro, a cidade necessita de calçadas mais adequadas a deficientes físicos, mais faixas para atravessar a rua e maior fiscalização aos avanços de sinal. Nem a Avenida Paulista, no coração da cidade, escapa das críticas. Para Broinizi, os sinais de trânsito não dão tempo para os idosos atravessarem de um lado ao outro e eles ficam ilhados no meio da avenida.

CRIAR UM PLANO DE MOBILIDADE
Viabilidade: alta
A ONG propõe a criação de um fórum de discussão do governo com a sociedade. O exemplo é o Pacto pela Mobilidade, de Barcelona, na Espanha, que reúne prefeituras, sindicatos de motoristas, associações de vítimas de acidentes de trânsito e empresas que dependem do transporte de mercadorias. “Beneficiários e potenciais afetados pelas mudanças no trânsito, todos sentam à mesma mesa. É importante entender para onde São Paulo vai”, diz Broinizi.